Os Sonhadores
Filme muito recomendado como obra representativa (e de certa forma até definidora) da tradição do cinema europeu, Os Sonhadores acaba não indo muito além de atender às expectativas de um entretenimento erótico cult (mesmo se tratando de um erotismo de forte teor poético - nada comparável à superficialidade das produções comerciais para adolescentes em explosão hormonal) . De fato, o filme parece estabelecer uma tentativa de justificar o conteúdo sexual explosivo (nisso razoavelmente bem-sucedido) com um background histórico pretensamente nobre, mesmo que pra lá de batido. De fato, ninguém precisaria assistir tão detalhadamente ao grito de liberação sexual de três adolescentes alienados para entender o maio de 68 francês, nem o Vietnã, nem mesmo a revolução sexual. Nesse sentido, cento e dez minutos melhor aproveitados viriam de qualquer documentário bem realizado. Não que eu não goste da Eva Green nua, é claro. Sou muito mais ela com roupa do que o Bernardo Bertolucci pelado, quanto mais tão empenhado nesse projeto esquisito. É verdade que algumas analogias acabam se mostrando interessantes – como o fato de o pai de família fracassado ser um poeta romântico, ainda agarrado aos ideais de gênio e inspiração criativa que, ao longo do século XX, mostraram-se talvez irreversivelmente ultrapassados.
Depois de cem minutos de orgias freudianas, a tentativa de tornar o filme dramático com uma tentativa de suicídio mal-sucedida chega a parecer patética. Até mais do que as inserções de imagens de cinema antigo. É possível atribuir inteligência à edição, mas o argumento não resolve nada: os três adolescentes poderiam ser apaixonados por pescaria, e se no lugar do Fred Astaire sapateando tivéssemos linhas e anzóis, não faria muita diferença.
Não se trata de rebaixar deliberadamente o filme a uma obra erótica mal-explicada, mas o próprio Bernardo Bertolucci já assumiu proposta semelhante e a realizou com muito mais competência – O Último Tango em Paris sobrevive a mais de 30 anos de críticas como uma das maiores obras da história do cinema. Por outro lado, não é possível esperar a perfeição constante de alguém que se permite arriscar. Dessa vez o diretor acabou patinando sobre a sua própria fórmula.
Depois de cem minutos de orgias freudianas, a tentativa de tornar o filme dramático com uma tentativa de suicídio mal-sucedida chega a parecer patética. Até mais do que as inserções de imagens de cinema antigo. É possível atribuir inteligência à edição, mas o argumento não resolve nada: os três adolescentes poderiam ser apaixonados por pescaria, e se no lugar do Fred Astaire sapateando tivéssemos linhas e anzóis, não faria muita diferença.
Não se trata de rebaixar deliberadamente o filme a uma obra erótica mal-explicada, mas o próprio Bernardo Bertolucci já assumiu proposta semelhante e a realizou com muito mais competência – O Último Tango em Paris sobrevive a mais de 30 anos de críticas como uma das maiores obras da história do cinema. Por outro lado, não é possível esperar a perfeição constante de alguém que se permite arriscar. Dessa vez o diretor acabou patinando sobre a sua própria fórmula.
